O amor por uma mulher



O amor por uma mulher

O amor tem vindo visitar em algumas noites. Não falo do amor em geral, pela vida, pela natureza, por aquele livro ou filme que faz chorar todas as vezes na mesma parte. Falo do amor por uma mulher. Não, não por uma mulher, afinal é um grande amor. 
Falo do amor pela mulher mais incrível desse mundo e que despertou as sensações únicas da paixão desde a primeira palavra que disse. Falo da sensação que não se é capaz de sentir por outra mulher, por outra pessoa qualquer. Falo da sensação boba e do riso solto, do riso em público, falo do olhar brilhante, do coração imerso em alegria e excitação. Falo daquela saudade que aperta o peito mesmo um segundo após a despedida, falo da saudade antes da despedida e falo também do último abraço e do beijo que nunca é o último e que se repete por incontáveis vezes. Falo da vontade de parar o tempo e ficar preso ali naquele abraço, naquele cheiro, naquele olhar apaixonado e naquele sorriso bobo refletido e repetido e espelhado. É desse amor que falo. Ele vem visitar em algumas noites, mas nunca está só. Vem acompanhado da tristeza, mas o que seria do amor sem um pouco de tristeza e melancolia? talvez nem fosse amor. Mas não falo disso, filosoficamente. Falo da tristeza que também não anda só, que vem acompanhada da culpa, aquela culpa que pesa e traz a tristeza, a mesma que a trouxe. Como consequência dessas visitas vem as lembranças, os detalhes. Alguns sorrisos bobos também dão as caras quando as lembranças mostram aquele banco da praça em que nada mais existia além dos seus lábios, nem sua voz, realmente nem a sua voz está presente nessa lembrança, foi silenciada pois o registro era dos seus lábios se movendo lentamente, já era previsto que seria uma das últimas lembranças. As palmas e os parabéns e o bolo e o chão da sua calçada também estão nessa lembrança, como dito, uma das últimas, boas. Mas falava da tristeza e da culpa e com isso chegamos as lágrimas ou elas é que chegam, já não dá pra saber. As lágrimas vem, escorrem e enquanto descem os pensamentos positivos resolvem se manifestar e dizem que tudo está escrito, era necessário, era muito necessário. As vezes é preciso deixar de amar alguém pra conseguir se amar e assim, amar a todos. Mas essas etapas já foram concluídas, aparentemente. E agora? É só esperar? As visitas do amor já tem sido raras pois as distrações são muitas e a esperança de sorrir como bobo novamente as vezes faz com que aceitemos que não será igual e talvez tenhamos que aceitar menos. 
Mas com isso recebemos a visita da dúvida. Ela nada mais é que uma criança perdida e deslocada em um corpo adulto. Ela não sabe ajudar, mas ela vem, o tempo todo, pois quando veio a primeira vez, a recebemos bem, a convidamos pra entrar e ficar a vontade, saímos da melhor poltrona, aquela bem confortável que fica de frente para a janela de vidro que dá uma vista para as árvores do quintal e a colocamos lá, mas é claro que ela iria voltar, quem não voltaria? 
Também recebemos a visita da consciência do futuro. Ela acha que sabe tudo, sempre bem arrumada, com o nariz empinado e um olhar superior. Ela diz: se você aceitar isso, deixará de viver aquilo, mas se você viver aquilo sem isso nada terá sentido. Eu acho que ela anda conversando demais com a dúvida. A consciência do futuro diz que se as coisas continuarem assim, o amor vai voltar, o amor, aquele por uma mulher e até mesmo a própria mulher. Nesse momento em que ela nos faz sentir tão bem, a dúvida se levanta da poltrona só pra lembrar que talvez o amor já esteja em outro lugar e que pedir e pensar nisso já pode atrapalhar, pois talvez esse mesmo amor não possa mais se conectar. 

Parece ser o fim e talvez devesse ser. Mas além de todo esse amor, o amor por uma mulher ou pela mulher mais incrível desse mundo, existe o amor geral. O amor pelos amigos, pela família ou por um animal. O amor pela vida, pela terra, pelo ar, o amor pelos elementos, pelas pessoas, pelos momentos. O amor por uma planta, pela natureza, o amor pelo sol, pela beleza. O amor pelas palavras, pelas ações, o amor pelas atitudes, pelas emoções. O amor está por aqui, mas pode encontrá-lo indo ali, se pegar outra rota tropeça e cai, onde o amor sempre vai. O amor mora ao lado, também mora logo acima, mora perto daquele lago e no sorriso de uma bailarina. 
O amor tem sabor, seja no frio ou no calor, há sempre um gostinho de dor e não importa onde for, sempre terá amor, mas se ele não te visitou, lembre-se da dúvida, ela sempre voltou e o amor, como você o tratou?

Iran Mendez
Photo by Alejandra Quiroz on Unsplash

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