Chega-se um tempo em que não há mais tempo
Chega-se um tempo em que não há mais tempo
Chega-se um tempo
em que tudo se assenta.
As janelas se fecham,
a diversão se tranca na gaveta,
a alegria faz breves visitas,
o sorriso quer sossego,
a energia se dissolve.
Chega-se um tempo
em que brincar é ridículo,
rolar na grama é imaturidade,
contar estrelas é insanidade.
As portas que ficam pra trás,
se fecham.
Quando se busca na memória,
pouco se acha.
E se acha, é vago.
Se parar pra viver,
é atropelado
por uma multidão
de planos.
Não existe sociedade,
há competidores.
Chega-se um tempo
que é necessário planejar.
Planejar, se preocupar
e executar.
Executar com exatidão.
Chega-se um tempo
em que não há tempo
pra pensar.
Temos que agir.
Mas agir sem pensar
gera consequências.
Se paramos pra pensar,
somos atropelados pelo tempo.
Chega-se um tempo
em que não há mais tempo.
Estamos soltos,
sonhando pouco,
morrendo cedo,
vivendo menos.
Iran MendezPhoto by Ben White on Unsplash

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