Dias Cinzas
DIAS CINZAS
Tempo fechado,
escuro, obscuro,
turvo, nebuloso.
Dias cinzas,
vazios, largos,
longínquos, silenciosos.
Te fechas e te prendes
atrás de portas que já não posso entrar.
Eu sou cada gota de chuva que cai intensamente
a procura da pele lisa.
Sou o transeunte solitário
e sem proteção a procura de mim.
Te escondes sob telhados sem brecha.
Em recônditas.
As vezes sou aquela lágrima que escapa,
mas aquela lágrima é rapidamente enxuta;
não consegue deslizar,
escorrer, resvalar,
chegar aos lábios com gosto de calma.
Sou o construtor dessa muralha tão tênue.
Não sou bom construtor,
pois bom construtor tem coração duro.
Se as vezes me elevo, é por que me deixei levar,
e de repente abro os olhos e aceito a queda.
E cair do cimo deixa cicatrizes profundas.
A chuva: dizem que lava a alma.
Não sei, mas não fujo.
Levanto o rosto pra sentir mais,
e sinto uma torrente descendo pela garganta,
fazendo com que todo o peso do mundo se exale pelos poros.
Encharcado me sinto dono do mundo,
dono de mim. Livre.
Iran MendezPhoto by Geetanjal Khanna on Unsplash

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